sábado, 16 de junho de 2012

Dissociação

Mal a porta se entreabre e eu já sei que estás em casa - a luz acesa do quarto, o cheiro a chá quente e a música que toca baixinho preenchem-me os sentidos e denunciam a tua doce e voluptuosa presença.


Chego a demorar mais minutos do que necessário só para não parar de te imaginar. Talvez a água do banho esteja a correr ou a porta da varanda aberta ou o livro que te comprei preguiçosamente pousado na colcha enquanto dormes o sono das sete da tarde.


Esta casa era minha até tu apareceres. Até te apoderares dela com a subtileza de um raio de luar. Tudo é teu, agora, desde a soleira da porta até cada pormenor de cada divisão.


Estou, assim, embriagada de ti quando apareces e me abraças, vindo não sei bem de onde, para concretizar os meus pensamentos. Sinto-te e sinto a derradeira verdade do amor - já nada aqui ou em mim me pertence completamente.

5 comentários:

Guilherme Navarro disse...

Blog interessante e denso.

Thuan Carvalho disse...

sutil, intenso e imenso.

Marco Rodriguéz disse...

MOCA, GOSTEI DE SEU BLOGUE.
Vamos trocar ideias por meio de nossos blogues.

www.alvordesnudo.blogspot.com

Marco Rodriguéz disse...

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Clayton Passos disse...

enxergo nesse texto a metafora de mim
alguem tambem me levou tudo oque eu tinha e eu ainda agradeço

"sinto a derradeira verdade do amor - já nada aqui ou em mim me pertence completamente."